Para além da parte destinada a ser lida em voz alta, o caderno escrito pelo nosso companheiro inclui também várias anotações, comentários e sugestões que cada um pode ler para si já fora da sessão de leitura-jogo. Nesta parte, encontra-se um detalhado Tarot Vampírico, ou seja, uma análise, interpretação e exemplificação da simbologia de cada uma das cinquenta e duas cartas que são usadas em “Sangue-Frio”. Estas são as 13x4 cartas de um baralho normal vistas do ponto de vista do autor deste caderno e explicadas com o propósito de aprofundar as indicações que ele nos deu nos curtos parágrafos do ritual apresentado anteriormente. Como leitura, este Tarot Vampírico ilustra tudo o que foi indicado até agora mostrando cinquenta e duas cenas possíveis do passado de um vampiro. Na práctica, esta parte pode mesmo ser usada para consulta durante a sessão.
Na sequência do Tarot Vampírico, o autor do caderno faz alguns comentários e sugestões adicionais sobre o ritual de evocação do passado e, de seguida, passa a explicar como a informação revelada por este Tarot pode ser aplicada num ritual de invocação do futuro para determinar o possível destino do vampiro que cada leitor-jogador encarna. Do ponto de vista do autor, este ritual destina-se a vampiros que já se consideram recuperados inteiramente da sua memória e que agora desejam olhar para o futuro e ter uma visão das circunstãncias em que poderão enfim morrer.
Expondo assim pelo poder divinatório das cartas toda a longa vida e a possível morte dos últimos vampiros deste mundo, o autor deste caderno termina a sua preciosa missiva com confessa amizade.
29 de novembro de 2009
28 de novembro de 2009
Joga com quem quiseres, quando quiseres
Como jogo e como livro, “Sangue-Frio” não tem uma duração definida, ou seja, a qualquer momento é possível parar e ler-jogar mais tarde. Os últimos parágrafos do ritual explicam como é possível ter essa continuidade, bastando só fazer algumas anotações numa folha de papel onde a informação para cada vampiro pode ser mantida e usada mais tarde. O mesmo vampiro pode ser encarnado em sessões de leitura-jogo diferentes, por e com pessoas diferentes.
Encarna o vampiro dentro de ti
Quer o conteúdo, quer o formato de “Sangue-Frio” estão totalmente desenvolvidos dentro de personagem e dentro da ideia que este livro é um caderno destinado a ajudar os seus leitores vampiros. A partir do momento que o texto pronto a ser lido em voz alta começa, quem o escreveu nunca sai de personagem para explicar que isto afinal é só um livro-jogo e que estas memórias são só imaginárias. Tentando estar o mais possível na fronteira entre o real e a fantasia, este livro pretende ser, ao mesmo tempo, uma obra de ficção e um caderno de facto escrito por um nosso companheiro vampiro.
Joga sem ler previamente as regras
Todas as explicações, instruções e sugestões indicadas pelo ritual de “Sangue-Frio” são apresentadas em pequenos parágrafos que estão preparados para serem lidos em voz alta à vez por cada leitor-jogador. Deste modo, começa-se a jogar de imediato e a informação necessária vai sendo intercalada com o jogo em si. As instruções estão apresentadas de forma a rapidamente mostrar como o ritual funciona, sem ser necessário seguir com exactidão tudo desde o princípio. Toda a informação relevante vai sendo sucintamente repetida, começando por dar desde logo uma ideia geral e só depois entrando em detalhes.
26 de novembro de 2009
Vive uma gigantesca história feita só para ti
Gradualmente, a leitura do ritual de “Sangue-Frio” introduz o uso de um baralho de cartas para sugerir que tipo de cenas poderão ser evocadas, o que poderá acontecer nelas e como se poderão resolver. Do ponto de vista do vampiro que o leitor-jogador encarna, ele está a recordar-se de uma cena relevante do seu passado - algo que já aconteceu, que é importante e da qual ele se está a tentar lembrar com a ajuda dos outros vampiros. Do ponto de vista do próprio leitor-jogador, ele está a criar a cena que lhe interessa ter nesse momento com o seu vampiro, através do espaço imaginário partilhado que surge da colaboração entre todos os leitores-jogadores. Nessa colaboração, quem encarna o vampiro em causa usa as cartas para determinar as circunstãncias da cena evocada e o que é que se passou à volta da sua personagem. Seguidamente, os outros leitores-jogadores usam as cartas para determinar o que é que o vampiro em causa fez ou disse, sugerindo várias hipóteses. Por fim, quem encarna o vampiro escolhe uma dessas hipóteses, determinando como é que a cena se resolve.
25 de novembro de 2009
Tu és uma força imparável nascida na Idade das Trevas
As personagens que os leitores-jogadores encarnam são vampiros que outrora foram humanos nascidos na época da Reconquista. Assim, o seu passado está não só marcado pelo acumular de centenas de experiências, mas principalmente por todos os dramas, paixões e conflitos inerentes à sua natureza vampírica. Apesar da existência de vampiros se manter secreta ao longo dos séculos, há diversos indíviduos que conhecem a verdade e que os perseguem usando de todos os meios possíveis. Além disso, é raro aos vampiros colaborarem entre si e é frequente atraiçoarem-se. Por isso, a verdade é que os leitores-jogadores encarnam os últimos vampiros do mundo, para os quais é crucial recuperarem o seu passado, de modo a que tenham a hipótese de um futuro.
23 de novembro de 2009
Tu és um dos últimos vampiros no mundo
Este livro assume que cada um dos leitores é um vampiro que acaba de acordar de um torpor de várias décadas. Eles são vampiros muito antigos e poderosos, mas encontram-se desorientados e sem memória do seu passado. “Sangue-Frio” é um caderno deixado por um dos seus falecidos companheiros com o propósito de os ajudar no momento em que acordassem. Está assim inteiramente escrito por essa personagem com a intenção de guiar os seus leitores vampiros na recuperaração da sua memória. Para isso, o caderno descreve passo-a-passo um ritual que é, na prática, um jogo cooperativo que os leva a reconstruir em grupo as mais diversas cenas do extenso passado de cada um.
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